Associação de Agentes de Sustentabilidade de Juruti

Foi criada a Associação Agentes de Sustentabilidade de Juruti. Uma nova força para lutar pela sustentabilidade de Juruti.

33 cidadãs e cidadãos de organizações públicas, escolas e organizações da sociedade civil concluiram, no dia 26 de novembro de 2009, o primeiro programa de formação de Agentes de Sustentabilidade de Juruti e um grupo decidiu que a Escola Juruti de Sustentabilidade não iria terminar aí, mas começar uma história.

PARABÉNS!!!!

Vocês tem as ferramentas e a energia que Juruti necessita para ver uma transformação social verdadeira.

Idéias Livres

livre pensar é só pensar. (Millôr)

caracol
docemente, docemente
escala o Fuji.
(Bashô)

domingo, 22 de março de 2009

Economia rasa e economia profunda

Por Leonardo Boff*

Existe uma economia profunda? Embora não dominante, estimo que existe e deva existir. Nos inícios dos anos 70 do século passado o filósofo norueguês, recentemente falecido, Arne Naes introduziu uma distinção, hoje amplamente acolhida nos meios ambientalistas, entre ecologia rasa e ecologia profunda. A rasa seria aquela que separa o ser humano da natureza e o coloca fora e acima dela, pressupondo que as coisas só possuem sentido quando úteis a ele. A profunda vê o entrelaçamento homem-natureza, afirma o valor intrínseco de cada ser e se dá conta de que uma teia de relações envolve a todos, formando a comunidade de vida. Há um Todo orgânico e cheio de propósito e o ser humano é capaz de identificar o fio condutor que liga e religa tudo e o chama de Fonte Originaria de todo o ser, base de valores infinitos (veneração, amor, justiça) que enchem de sentido a vida humana. A profunda ajuda a rasa a se autolimitar e a não ser destrutiva.

Apliquemos estas reflexões ao campo da economia. A economia rasa seria aquela que se centra somente nela mesma, nos capitais, nos mercados, nos investimentos, nos lucros, numa palavra no PIB, sem preocupação com a delapidação da natureza, com a ruptura da autoregulação da Terra e com o crescente fosso entre ricos e pobres. São externalidades, fatores que não entram no cálculo econômico.

Sua lógica é a de um sistema fechado como se a economia fosse tudo numa sociedade. Efetivamente, como foi amplamente denunciado pela escola de Frankfurt, particularmente por Polaniy, no capitalismo avançado, a economia absorveu todas as instâncias sociais (política, ética, estética, ciência), transformando tudo em mercadoria e, por isso, em oportunidade de ganho. Estabeleceu-se como o eixo articulador do todo social. Isso teve como consequência o excesso insano da vontade de enriquecer a todo custo e nos conduziu ao caos sócio-econômico atual. É a loucura da racionalidade econômica rasa.

Que seria a economia profunda? Seria a volta ao sentido originário de economia como técnica e arte de atender as necessidades da casa, hoje, da Casa Comum, a Terra viva, respeitando seus ciclos e sua capacidade suporte. Ela se inseriria no todo que constitui uma sociedade. Nesta haveria uma base que, em última instância, asseguraria a vida material: a economia. Haveria uma forma de organização, de distribuição do poder e leis que permitiram a todos viverem juntos sem demasiados conflitos. Haveria um conjunto de valores morais, éticos e ideais que dariam sentido à vida social e humanizariam as relações sempre tensas entre as diferenças. E por fim, haveria um horizonte de sentido maior que ancoraria a história numa instância mais alta e desenharia o quadro final do universo: a espiritualidade.

Assim teríamos, idealmente, uma sociedade que poderíamos considerar verdadeiramente humana, porque teria uma visão integradora da complexidade humana.

Aqui emergeria a economia profunda, aquela que sabe seu lugar no conjunto da estruturação social e responderia à questão: como produzir o suficiente e decente conservando o capital natural e em harmonia com a comunidade de vida?

O economista profundo pensaria assim face à crise atual : como podemos resolver os problemas da humanidade e não como salvar o sistema econômico em crise?

A mudança da pergunta envolve a mudança da resposta. E esta somente virá se houver uma quebra do paradigma antigo – a ditadura da economia – e recolocarmos a economia no seu devido lugar no conjunto da sociedade. Esse seria um novo paradigma, sustentável a longo prazo. Então, a economia seria parte da política, que seria parte da ética que seria parte da espiritualidade. A economia rasa seria incorporada na profunda. E diferente seria o futuro.

* Leonardo Boff é teólogo, escritor, professor emérito de ética da UERJ e membro da Comissão da Carta da Terra e autor do livro a sair em breve pela Record: Opção-Terra, a solução da Terra não cai do céu.
(Envolverde/O autor)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Bird aprova US$ 1,3 bilhão para projetos ecológicos no Brasil

da France Presse, em Washington

O Banco Mundial (Bird) aprovou um empréstimo de US$ 1,3 bi para projetos ecológicos no Brasil, dentro de um pacote voltado para a luta contra a deterioração da floresta amazônica e em defesa da energia renovável.

"O programa apoia o compromisso do Brasil para melhorar seus resultados ecológicos e de combate à pobreza, ao mesmo tempo em que implementa um modelo de competitividade e crescimento acelerados", indica o comunicado do Bird.

O empréstimo "apoiará o gerenciamento sustentável das terras agrícolas, das florestas e dos recursos hídricos, reduzirá o desmatamento no Amazonas, a degradação da terra, da água e de outros recursos essenciais para o bem-estar dos pobres, além de promover fontes renováveis de energia", explica o texto.

Outro objetivo do projeto é proteger os cerca de 95 mil km2 que restam da mata atlântica brasileira, o que corresponde a 7,3% da área original deste ecossistema.

"O novo programa se apoia no bom trabalho que tem sido realizado pelo Brasil. É um complexo esforço de múltiplos atores do governo, e todos os ministérios devem ser parabenizados por isso", elogia Mark Lundell, chefe do projeto do Bird, citado no comunicado.

O empréstimo é a primeira operação dentro de um programa de desenvolvimento sustentável e meio ambiente do Bird.

Os primeiros US$ 800 mi serão desembolsados imediatamente, e os US$ 500 mi restantes serão liberados conforme a conclusão das metas estabelecidas pelo programa, de acordo com o governo brasileiro.

Através de empréstimos como o do Bird, Brasília tem a intenção redefinir as políticas públicas com um conteúdo sustentável, dando prioridade às comunidades locais na hora de explorar os recursos da floresta e reduzindo a depredação de terras e matas, destaca o texto.

O Brasil abriga em suas fronteiras um terço da selva tropical mundial, além de possuir a maior reserva de água doce (20%) e uma das mais ricas biodiversidades do planeta.

Em 2008, o país registrou mais de 12 mil km2 de desmatamento, segundo dados oficiais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Escola Juruti de Sustentabilidade = Tá no Google!!!!!

Assessorias ToTTais

Enviado por: Casa da Imprensa em 01/03/2009.

Em Juruti, Oeste do Pará, Alcoa investe em programa de capacitação de agentes de sustentabilidade

Um curso para formar líderes em sustentabilidade acaba de ser criado, não sendo dirigido a executivos, e tampouco realizado em grandes centros urbanos. Desta vez será em Juruti, no Oeste do Pará. O município terá, pela primeira vez, um curso para capacitar agentes de sustentabilidade. O objetivo da Escola Juruti de Sustentabilidade é formar profissionais e lideranças de organizações civis e governamentais capazes de desenvolver iniciativas sustentáveis na região. A iniciativa conta com o apoio técnico do Instituto Peabiru, organização não-governamental com larga experiência na região amazônica, e recursos doados pela Alcoa Foundation e Instituto Alcoa.

"A Alcoa pretende permanecer em Juruti nos próximos 70 anos, convivendo com pelo menos três gerações. É preciso estabelecer relações duradouras e garantir a construção conjunta de novos cenários de desenvolvimento. Temos a convicção de que esse curso servirá de modelo para a região e para o País", diz Franklin L. Feder, presidente da Alcoa América Latina e Caribe.

As aulas terão início em Março, divididas em quatro módulos: Mobilização de recursos para o terceiro setor; Mobilização e gestão pública; Gestão de recursos para o terceiro setor; e Trabalho de conclusão de curso. Nessa etapa serão capacitados 30 representantes de 15 diferentes organizações publicas e privadas sem fins lucrativos da região. O curso terá 10 meses de duração, com carga horária total de 300 horas. As aulas serão ministradas pelos instrutores do Instituto Peabiru e o certificado expedido pela organização ao término do curso.

De acordo com Rui Martins, coordenador da Escola Juruti de Sustentabilidade e diretor adjunto do Instituto Peabiru, a expectativa é contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do município. "Buscamos formar uma comunidade de pessoas integradas, de convivência harmoniosa entre cidadãos, e que isso desenvolva uma massa crítica de planejadores que pensem em sustentabilidade" comenta.

Para Liege Silva Costa, representante da Comissão dos Direitos Humanos de Juruti-CDHJ, é de fundamental importância o desenvolvimento de um projeto como este no município para capacitar e orientar todas as instituições locais. "Também buscamos esses conhecimentos e queremos ter representantes da nossa entidade na Escola de Sustentabilidade para podermos atuar de maneira mais eficaz junto à sociedade", conclui.

Comunicação Corporativa Alcoa, sustentabilidade, capacitação de agentes, ações com ToTTal Marketing

terça-feira, 3 de março de 2009

Transparência e resultados

 

ALERTA CIENTÍFICO e AMBIENTAL

 

 

Ano 16  |  nº 7 e 8 | 3 de março de 2009

 

 

Veja nesta edição:

 
Enfim, 98 ONGs estrangeiras são banidas do País
Rio, 27/fev/09 – Dando prosseguimento ao processo de recadastramento de ONGs estrangeiras que atuam no Brasil, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, informou que apenas 72 delas, em um total de 170, apresentaram a documentação exigida até dia 2 passado, data limite fixada na Portaria n° 1.272 do Ministério da Justiça. Em decorrência, 98 ONGs estrangeiras serão consideradas impedidas de atuar no País, a menos que se cadastrem como entidades nacionais. [1]

Segundo Tuma Júnior, a baixa procura confirma a suspeita de que a maioria das ONGs estrangeiras operava no País "de forma obscura", sobretudo as que atuam na Amazônia.

Das ONGs cadastradas, nenhuma delas é da Região Norte: 36,5% são de São Paulo, 20% do Rio e o restante do Sul e Centro-Oeste. O ministério não divulgou a lista das entidades cadastradas porque a documentação ainda está sendo conferida e alguns pedidos encaminhados pelo correio ainda podem chegar.
Em paralelo, o governo está elaborando um decreto regulamentando a execução de atividades de qualquer instituição em áreas ambientalmente protegidas, terras indígenas e zonas de fronteira.

Indubitavelmente, trata-se de um bom avanço para abrir a "caixa preta" das ONGs estrangeiras que atuam por aqui. O próximo passo é criar mecanismos legais para que seus doadores e montantes 'doados' – os ecodólares - sejam tornados públicos como ocorre, por exemplo, nos EUA, uma vez que gozam de isenções fiscais. Aliás, por uma questão de coerência, tal prática deveria partir das próprias ONGs que são sempre muito ágeis em exigir 'transparência' em processos de licenciamentos ambientais e correlatos.
 
Notas:
[1]Governo banirá 98 ONGs estrangeiras que atuam no País, Agência Estado, 17/02/2009

O problema dos enclaves industriais na Amazônia

Falta engajamento? Há sugestões  

(Não Assinado)


Na capa da Razão Social no papel que está hoje nas bancas eu conto a história de denúncias recebidas pelo Ibase, vindas de uma ONG norueguesa, dando conta de que a Alunorte, mineradora que está atuando em Barcarena, tem deixado várias falhas na comunidade e no meio ambiente do município de Barcarena, interior do Pará. Algumas denúncias foram constatadas, no local, pelos diretores de responsabilidade social do Ibase, Ciro Torres e Claudia Mansur. Outras, foram combatidas pela Vale, que controla a Alunorte, em resposta a nossa demanda.

O fato é que alguma coisa está indo mal nesta relação empresa com comunidade, já que conversei com uma liderança local e ele nos confirmou vários problemas. E, como não estamos mais em tempos ditatoriais, o que se espera da empresa, já que é a grande beneficiada ao retirar os recursos naturais da região e transformá-los em lucro, é que tenha um olhar mais atento para estas questões. Afinal, a Vale tem uma pegada forte no quesito sustentabilidade em outros caminhos por onde anda.

Aprender com exemplos é um bom caminho. E, neste momento, a Alcoa e a comunidade de Juruti, onde a empresa tem um grande empreendimento extraindo bauxita, podem ser bons exemplos. A comunidade se uniu, priotestou, foi à Justiça, tentou negar a licença de operar. E conseguiu se fazer ouvida. Embora aind\a não vivam no melhor dos mundos, alguma coisa tem sido feita, como a criação do Conselho Juruti Sustentável, que foi reportagem de capa da Razão Social de dezembro.

Por coincidência, hoje mesmo recebi um release da empresa dando conta de outro projeto bem interessante: a criação de uma escola Juruti de Sustentabilidade. A idéia é justamente formar profissionais, lideranças de organizações civis e governamentais capazes de desenvolver iniciativas sustentáveis na regiãio. Vai começar a funcionar neste mês e tem uma parceria importante, a ONG Peabiru, muito prestigiada pelos moradores.

É uma sugestão para a falta de engajamento. Talvez esteja faltando à Alunorte/Vale, no caso específico de Barcarena, um olhar mais atento não só para resolver os problemas, mas para encontrar soluções de diálogos e de engajamento. Não é difícil, e posso apostar que ela vai fazer isso.


Link Original: http://oglobo.globo.com/blogs/razaosocial/post.asp?t=falta-engajamento-ha-sugestoes&cod_Post=165017&a=297